quinta-feira, 4 de outubro de 2012

I told you I was fucked up



Primeiro, informo que vos escrevo sob o efeito de um comprimido que é suposto atirar um elefante ao chão em segundos e eu ainda aqui ando. Portanto, algumas coisas que eu possa escrever talvez não façam sentido nenhum para vocês mas este é o meu blogue e eu vou escrever o que me vai na alma.

Começo pela morte da minha avó. Já passaram quase duas semanas mas para mim ainda parece que foi ontem. Foi ontem que segurei na mão dela durante horas que pareciam minutos, que lhe dei beijinhos, que a vi abrir os olhos pela última vez, que lhe disse que a amava, que lhe pedi desculpa por todo o tempo que devia ter passado com ela e não passei porque estava mais ocupada com o meu trabalho, com as minhas roupas, com as minhas merdas. Que lhe agradeci todos os almoços e jantares que me fez (sempre o meu prato preferido, independentemente de quantas vezes seguidas já o tinha comido), tudo que me ensinou, todas as vezes que me fez chá, que me curou dores de ouvidos com azeite quente e que fez xarope de cenoura para curar a minha tosse.

A morte da minha avó fez-me perceber o egoísmo com que passamos as nossas vidinhas de casa-trabalho-casa. Há tanto mais para ver, há tanto mais para fazer. Mas a sociedade ensinou-nos que devemos passar mais de metade da nossa vida dentro de um escritório em troca de dinheiro que não chega para pagar o nosso conforto, o conforto dos nossos filhos, o futuro dos nossos filhos. E isso leva-me a pensar o que raio estamos todos aqui a fazer, que palhaçada é esta?

Eu sempre fui trabalhadora, sempre vesti a camisola e felizmente trabalho numa empresa que me dá valor, que me recompensa, que me ajuda, que me compreende, que está lá quando é preciso. Não me posso dar ao luxo de abdicar disso nos dias que correm mas a verdade é que nada lá faz sentido. Vou voltar para lá, atender telefones, enviar emails, ser obrigatoriamente simpática para todos (quer queira, quer não), bem arranjada, unhas e cabelo impecáveis, quando na realidade se calhar me apetecia estar de galochas a trabalhar a terra e disfrutar do prazer que é ver o retorno que ela nos dá, seja com flores, alfaces ou batatas. Ou a dançar, dançar um dia inteiro, inventar coreografias, ensaiar até ao último detalhe.

Eu sei que não estou sozinha nestes pensamentos, não descobri a pólvora.

A questão é que 90% da população acomoda-se e não vive, passa apenas pelos anos. Eu não quero que isso aconteça comigo, eu quero viver, eu quero arriscar. Eu quero dar mergulhos à noite e ver o céu estrelado se isso me fizer feliz naquele momento. Eu quero viajar, eu quero ajudar quem precisa e deixar de ser egoísta. Quero respeitar os gostos e as decisões dos outros, desde que não interfiram em nada na minha felicidade.

Eu não quero saber o que os outros vão pensar de mim se as minhas acções não forem de encontro àquilo que a sociedade definiu como sendo correcto.

Neste momento, eu sou a minha primeira prioridade. A única.

Tenho objectivos bem definidos na minha cabeça e tenho a certeza que vou alcançá-los porque EU quero.

Vai ser um longo caminho. O cérebro humano é muito preguiçoso, habitua-se a rotinas e é difícil contrariá-lo. Vai sempre mandar-me pelo caminho mais fácil, pelo caminho que já conhece mas eu vou contrariá-lo e vou ser FELIZ.

6 comentários:

Palavra Já Perdida disse...

E assim é que tem de ser, nós em primeiro lugar.
um beijinho grande pela tua perda *

Noa disse...

Força! Irás atingir todos os objectivos que queres.

Niki disse...

Foi muito bom ler isto, no meio de todo este sofrimento (já chegava) é bom saber-te assim , a dar valor àquilo que importa mais do que tudo. TU!!!
Gosto muito de ti minha primeira, espero que nunca te esqueças disso!!!

Beijinhos muitos e munfias e tudi!

Niki disse...

Foi muito bom ler isto, no meio de todo este sofrimento (já chegava) é bom saber-te assim , a dar valor àquilo que importa mais do que tudo. TU!!!
Gosto muito de ti minha primeira, espero que nunca te esqueças disso!!!

Beijinhos muitos e munfias e tudi!

Didá disse...

Ihihiihihi agora sou a tua primeira e a minha primeira também!!! Beijinhos

Guinhas disse...

Não podia concordar mais contigo.Acho que estamos numa sociedade perfeitamente automatizada, que acorda-trabalha-faz jantar e dorme. Há tantas coisas pequenas, gratuitas e que nos trazem uma satisfação e gratificação...mas esquecemos nos.Falo de um simples passeio na praia, um livro, uma tarde com quem gostamos mesmo..enfim, tantas coisas!